terça-feira, 7 de maio de 2013

"Manifesto Ciborgue" - Donna J. Haraway


Como já referido no início do blogue, iremos abordar os temas tratados em aula, desta vez vamos abordar o tema, "Manifesto Ciborgue" de Donna J. Haraway. Iremos falar muito sumariamente sobre o que Haraway diz acerca do "Ciborgue", daremos alguns exemplos de ciborgue e como nós humanos, modificamos o nosso corpo.


 “Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção” - Donna J. Haraway

Segundo a autora, o ciborgue é matéria de ficção e também da experiência vivida.
Trata-se de uma luta de vida e morte, em que a fronteira entre ficção científica e a realidade social é uma ilusão ótica. Os ciborgues são criaturas que são simultaneamente animais e máquinas, que por sua vez habitam em mundos tanto naturais quanto fabricados. A medicina moderna também está cheia de ciborgues, de junções entre organismo e máquina. O ciborgue é uma imagem condensada tanto da imaginação quanto da realidade material. Ele está determinadamente comprometido com a parcialidade, a ironia e a perversidade. Ele é oposicionista, utópico e nada inocente. Com o ciborgue, a natureza e a cultura são reestruturadas.

MÁQUINA + ORGANISMO = Ciborgue = Óscar Pistorius – Há uma reestruturação da biologia e retiramos alguma cultura.

Óscar Pistorius


Como exemplo de outro "ciborgue", temos o filme Robocop.
Trailer:  http://youtu.be/hm-18Hm9jnY

Indivíduo VS Identidade

O homem tem o dom de criar identidade, distinção, tornar os seres vivos distintos. O homem e a mulher distinguem-se pela raça, pelo género, idade, deficiências biológicas e pelas diferenças culturais (religião, educação, classe). A identidade dos corpos é marcada culturalmente.

Contradição

  •  No espaço cibernético não há distinção entre raça, idade etc. 
Ex: Quando vamos a conduzir não sabemos quem está dentro do carro
  •  No ciberespaço não se identifica raça, idade etc, no entanto, o ciborgue permite que se distinga as diferenças biológicas e culturais. 
    
      Exemplos de Ciborgues

      Frankenstein –  O seu corpo foi construído a partir de outros corpos e animado através de uma descarga elétrica de um relâmpago.


Golem - A lenda do Golem tem origem em Praga. Baseia-se na tradição Judaica, em que o corpo era moldado no barro (foi assim que Adão foi criado) e animado com um sopro divino. Em seguida escrevia-se a palavra Emeth (verdade) num papel e colocava-se na boca do Golem. Apagando a primeira letra da direita para a esquerda, o Golem era destruídos. Uma criatura gigantesca com feiç~ies humanas rústicas era utilizado para fins braçãos e como guardião de Praga.

Michel Foucault- "Espaços Outros"

Em aula foi apresentado e discutido o texto "Espaços Outros" e, por este motivo, é importante desenvolver, sumariamente, as ideias-chave expressas.


  • No século XIX o grande assombro foi a história (organização sequencial os acontecimentos). Foi no 2º princípio da termodinâmica que o século XIX encontrou o essencial dos seus recursos mitológicos.
  • Foucault enuncia que se está na época do próximo e do longínquo, do disperso. Vive-se um momento em que o mundo se experimenta menos como uma grande vida que se desenrolava através do tempo, do que como uma rede que liga pontos.
  • É introduzido o conceito de estruturalismo - É o esforço para estabelecer, entre elementos que podem ser repartidos através do tempo, um conjunto de relações que os faz aparecer como opostos, como uma espécie de configuração, uma maneira de tratar aquilo a que se chama tempo e aquilo a que se chama história. É uma aproximação teórica da explicação do real.
  • Relativamente ao espaço, refere que o espaço que aparece hoje não é uma inovação. Na Idade Média era um conjunto hierarquizado de lugares; lugares sagrados e lugares profanos; lugares protegidos e abertos...
  • Espaço de localização - constituído por cruzamento de lugares, ou seja, existiam lugares onde as coisas se encontravam porque tinham sido descolocadas e também lugares onde as coisas encontravam a sua colocação.
Este termo surgiu com Galileu, uma vez que o grande escândalo da sua obra foi ter constituído um espaço infinito e aberto, o lugar de algo não era mais do que um ponto no seu movimento, tal como o seu repouso era o seu movimento abrandado.

Ou seja, a partir do século XVII, a extensão (espaço aberto) substitui-se à localização. Nos dias de hoje, a colocação (definida pela relações de vizinhança entre pontos ou elementos) substitui-se à extensão.

  • Existe um problema do lugar ou da colocação, que é posto em análise em termos demográficos. No entanto, não  se resume apenas à questão de saber  se há espaço suficiente no mundo para o homem, mas também saber que relações de vizinhança, que tipo de armazenamento dos elementos humanos devem ser escolhidos numa particular situação para chegar a um fim -> Posto isto, pode concluir-se que se vive numa época em que o espaço se oferece sob a forma de relações de colocação.
  • Espaço de fora - é um espaço heterogéneo; vive-se no interior de um conjunto de relações que definem colocações. Podem distinguir-se diferentes colocações. Colocação de paragem provisória, café, cinema, praia; colocação de repouso, casa, quarto.
  • Para Foucault, importam as colocações que estão em relação com todas as outras e contradizem todas as outras colocações. São de dois tipos (entre eles haverá uma experiência mista, que seria o espelho):
Utopia --> são colocações sem lugar real; mantêm com o espaço real da sociedade uma relação geral de analogia directa ou invertida. São espaços essencialmente irreais. Descrevem espaços onde o homem vive na máxima perfeição.

Heterotopia --> lugares reais; são uma espécie de contracolocações de utopias realizadas nas quais as colocações reais. As relações entre os seres humanos estão designadas a um espaço. Ex: cemitérios, hospitais psiquiátricos...

Podem classificar-se em dois tipos:
Heterotopias de crise: têm lugar nas sociedades "primitivas"; há lugares privilegiados ou sagrados, reservados a indivíduos que se encontram em estado de crise. Ex: adolescentes, idosos.
Heterotopias de desvio: englobam os indivíduos cujo comportamento é desviante em relação à norma exigida. Ex: prisões.

As heterotopias possuem em relação ao restante espaço uma função que se desdobra entre dois pólos distintos: o seu papel é o de criar um espaço de ilusão que denuncia todo o espaço real; ou então criar um outro espaço real, que seria a heterotopia de compensação.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Cyberbullying


Um fenómeno resultante da existência do ciberespaço é o cyberbullying. O cyberbullying é uma prática que envolve o uso de tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou mais com intenção de prejudicar outro indivíduo. Tem-se tornado cada vez mais recorrente, principalmente entre os jovens.

“Quando a internet, telefones ou outros dispositivos são utilizados para enviar textos ou imagens com a intenção de ferir ou constranger outra pessoa”.

Pode ser algo tão simples como enviar e-mails repetidamente a alguém que não os quer, tornar as vítimas alvo de ridicularização na internet, inclui também ameaças ou rótulos depreciativos. A sua actuação pode ser através da divulgação de dados pessoas das vítimas ou publicar material que as difame. Os cyberbullies postam rumores e boatos acerca da vítima.


É mais propício nas crianças e nos adolescentes, mas também pode ocorrer entre adultos. Nos jovens a intenção é normalmente envergonhar, perseguir ou fazer ameaças online. Este assédio ocorre em blogues, sites, através de e-mails, mensagens de texto.

Um cyberbully pode tornar-se rapidamente também ele uma vítima. Entre os jovens é frequente existir uma alteração desses papéis.

Quando a vitimização envolve apenas adultos pode também designar-se “cyber-harressment” ou “cyberstalking”.

O cyberbullying envolve três vectores (bully – vítima – novas tecnologias da informação e comunicação) e é um fenómeno com um crescimento bastante rápido, em especial no mundo da internet.


Curiosidades:

- Em 2008, os pesquisadores Sameer Hinduja, da Universidade Atlântica da Flórida e Justin Patchin publicaram um livro que resumo o estado actual da investigação sobre cyberbullying – “Bullying beyond the schoolyard. Preventing and responding to cyberbullying”.

- Um filme que retrata esta realidade e as suas consequências nos jovens é o Ciberbully.



- Notícia sobre Amanda Todd  de 15 anos que se suicidou após vários anos a sofrer de ciberbullying.




Esclarecer conceitos # 2


Pós-modernismo


O Nazismo destruíu as crenças e ideologias do modernismo pois a história deixa de estar assente no progresso e o Homem deixa de ser visto como todo racional pois aquilo que aconteceu em Auschwitz não vem da razão, iniciando-se assim uma nova era, o pós-modernismo.

O conceito de pós-modernismo representa as condições sociais, culturais e estéticas vivenciadas num período de tempo que começa com o fim da modernidade, definindo assim uma nova era.
Este é um conceito de difícil definição devido aos limites temporais que abrange e às alterações socioculturais que aconteceram dentro deles, mas é um período caracterizado pela derrocada de todas as crenças que existiam na era moderna, as crenças na história e no Homem como humano dotado de razão e autonomia. 
Neste período temporal, os valores absolutos do Homem não são associados à maioria e o Homem busca a individualização e as vontades próprias. 


(Individualismo)

O pós-modernismo também conhecido como “sociedade pós-industrial” caracteriza uma sociedade de inovações tecnológicas. Perry Anderson no seu livro “As origens da pós-modernidade” escreveu que a modernidade era tomada por imagens de máquinas (sociedade industrial) enquanto que o pós-modernismo é tomado por máquinas de imagens (como a televisão, computador, internet …).

O pós-modernismo trouxe também alterações nas artes plásticas, música, cinema, literatura e arquitectura.

(Obra de Andy Warhol, um dos ícones das artes no pós-modernismo)

Nazismo vs Humanismo



Até hoje a Humanidade lembra, relembra e sofre ao recordar o lamentável episódio da nossa História, a 2ª Guerra Mundial, que ficou conhecido como Holocausto.
A 2ª Guerra Mundial (1939-45) foi o conflito que mais vítimas causou (cerca de 50 milhões) em toda a história da humanidade. Foi provocado por três países onde tinham sido implantados regimes autoritários (Alemanha, Itália e Japão). Estes Estados queriam aumentar as suas áreas de influência e uniram-se numa coligação que ficou conhecida como Eixo.
Na Alemanha o sentimento de vingança crescia cada vez mais entre os alemães. O partido Nazi, chefiado por Adolf Hitler, ganhava muitos votos.
Acusavam os comunistas, liberais e judeus da desordem e prometiam restaurar o orgulho de ser alemão. Afirmavam pertencer a uma raça superior, a Ariana.
Era um país que vivia na miséria, e os nazis ofereciam a oportunidade de esperança e de um país melhor. Formavam grupos de jovens que iam às ruas perseguir os seus inimigos. Davam uso a propagandas enganosas que ajudaram Hitler a ser transformado no “Salvador da Alemanha”.
Para Hitler, era fundamental criar uma “nova ordem” na Europa, baseada na superioridade alemã, na exclusão de minorias étnicas como os judeus, na supressão das liberdades e dos direitos individuais e na perseguição de ideologias liberais, socialistas e comunistas.
O partido nazi controlava a população e esse controlo era feito pelo Ministro Joseph Goebbles que fiscalizava a imprensa, a literatura, o cinema e a rádio (principal instrumento de comunicação das massas).
As nações democráticas (França, Grã-Bretanha e os EUA) opuseram-se aos desejos expansionistas do Eixo, então, estas nações juntamente com a União Soviética, após a invasão desta por Hitler, constituíram o grupo dos Aliados.
Este conflito acabou por envolver a maior parte dos países do mundo, mas no final, os Aliados conseguiram derrotar o Eixo.
No final da 2ª Guerra Mundial quando as tropas aliadas entraram na capital alemã, Hitler cometeu suicídio.
Racismo, totalitarismo e nacionalismo foram alguns ideais seguidos pelos nazis. O nazismo levou milhares de pessoas (judeus, homossexuais…) à morte. (Muitos inclusive, foram usados em experiências médicas).
Foi um tempo em que a moralidade, racionalidade e a importância que o Ser Humano tinha apenas por existir, desapareceu. Foi uma época histórica que foi contra o Humanismo a todos os níveis, tendo em conta que este é uma crença onde todo o homem é um valor em si mesmo, e que não pode nunca ser violado, nem se pode exercer violência contra.
O nazismo mostra que o homem não é um todo de razão, e que o que fez não tem explicação. Ao não ter razão cai a noção de homem de autonomia, destroem-se todos os pontos cardeais da modernidade. Este foi um dos piores episódios da nossa história mundial (senão mesmo o pior) porque foi contra todos os direitos e valores do Homem, baseado apenas em ideologias que iam em todos os níveis contra a razão. Foi pura e simplesmente o extermínio de milhões de Seres Humanos.


Auschwitz – Campo de concentração alemão.
Esta imagem mostra as próteses, os dormitórios, os óculos, os sapatos/chinelos, os “pijamas” que eles eram obrigados a vestir e a parte exterior do campo nos dias de hoje.


Esclarecer conceitos # 1

Humanismo

A razão é a capacidade de organizar as informações que temos do real.
Na modernidade, parte-se do princípio que todos são racionais e têm essa capacidade.
Assim, somos humanos, racionais e autónomos. E nesta afirmação se baseia o conceito de Humanismo.



O Humanismo remete para as ideias de valorizar o ser humano e a condição humana acima de tudo, isto é, o Homem tem um valor que nunca pode ser violado. Nesta filosofia, o ser humano é visto como cheio de valores (como a generosidade, compaixão, respeito, justiça, honra..), atributos e realizações.

Este movimento intelectual surgiu em Itália no século XVI quando o Renascimento estava difundido pela Europa e a forte influência do pensamento religioso da Idade Média começava a ser desestabilizado. Assim, o teocentrismo (Deus como centro de tudo) dava lugar ao antropocentrismo, isto é, o Homem como centro de tudo. Os humanistas acreditavam que os seres humanos eram os responsáveis pela criação e desenvolvimento dos valores e não um Deus.
O Humanismo procurava o melhor nos seres humanos e para os seres humanos sem utilizar crenças religiosas. O Humanismo teve influência nas artes, nas ciências e na política. 


(Homem Vitruviano, obra de Leonardo da Vinci - Este desenho representa o homem descrito por Vitrúvio (um arquitecto romano), este homem apresenta-se como um modelo ideal para o ser humano, cujas proporções são perfeitas, segundo o ideal clássico de beleza.)